Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Dança]

    [Dança]

    Cada vez que você dança

    eu também danço,

    mas quando você tropeça

    sou eu quem cai

    Cada raio de sol que te alcança

    me atravessa,

    e a sombra que sobra

    se enrosca em mim

    Ora na beira você se demora

    Que fazer com a escuridão que sobra?

    No espelho não me reconheço

    Seria um fim

    ou um novo começo?

    Talvez na próxima segunda-feira

    eu tenha certeza

    mesmo que a dúvida me espere na soleira

    da beira

    do mar

    da areia

    da ceia

    do espaço de ninar

    ___

    Artwork by @marcosalvarado La Danza De La Esperanza (Blue Roof), 2025, Acrylic on canvas

  • [Poderia]

    [Poderia]

    Eu não sabia que o Gessinger fez uma música sobre a segunda-feira

    Remete a um baião

    É gostosa, tem refrão

    Faz sentido

    Nos meus ouvidos

    No meu coração de poeta

    Que acredita

    Na segunda muda

    No domingo etéreo

    Nas contas que acumulam

    Nos fogos que fogem do horizonte

    Na luz que se apaga

    Pra nova semana que começa

    Pro sono que chega

    Antes da hora

    Pra conversa que não vinga

    Antes do sol raiar

    Você conhecia?

    Chama-se ‘a noite inteira’

    E fala das coisas que a gente poderia

    fazer, falar, sonhar, sorrir, dormir, trocar,

    conversar, desprender, pagar, brincar

    pecar, fluir, voar…

    Tem tanta coisa que a gente poderia

    se a gente não se prendesse

    na fobia da nostalgia

    na agonia da mordida

    da segunda-feira bandida

    _

     

    Artwork by Engenheiros do Hawaii

  • [Felicidade]

    [Felicidade]

    felicidade é um carinho

    é um café quentinho, coado

    é um olhar enamorado

    um beijo molhado

    um jantar elaborado

    ou não

    é ficar de pijama a manhã inteira

    e a tarde inteira

    e a noite inteira de novo

    e acordar na segunda-feira

    com gostinho de domingo

    _

  • [Muito obrigada]

    [Muito obrigada]

    Amo nossos tudos e nossos nadas

    Amo nossos dias, nossas noites e nossas tardes ensolaradas

    Amo nossos domingos e nossas segundas-feiras lotadas

    Amo nossos encaixes e nossas risadas largadas

    Amo nossos beijos e nossas piadas

    Amo nossos lugares preferidos, nossa cumplicidade absurda, nossos sonhos lúcidos, nossos choros lindos e nossas pelugens fartas

    Amo nossa linguagem inata

    Amo nosso mundo infinito

    Amo você

    Muito obrigada

    _

     

    Artwork by Anders Rokkum

  • [Chovia]

    [Chovia]

    a segunda amanheceu fria

    e o mundo parecia andar de lado

    sempre que chovia você não ia

    e eu aprendia a medir distâncias

    pelo som das goteiras

    escondendo os sonhos

    com um travesseiro mofado

     

    não tem desculpas, já não chove mais

    o céu abriu, mas deixou marcas no chão,

    no teto, no reto, no torto, no absorto,

    no meu choro abafado

     

    hoje entendo a tristeza que a segunda-feira traz:

    ela carrega o eco do que faltou,

    e a coragem tímida de seguir, apesar

    _

     

    📸 @fluzbrenda

  • [Despedidas acumuladas]

    [Despedidas acumuladas]

    Despedidas acumuladas não pesam de uma vez.

    Vão se guardando nos cantos —

    entre fotos que ninguém revela,

    mensagens que param no meio da frase,

    e aquele cheiro que insiste em ficar no casaco.

     

    São como poeira de constelação:

    cada grão, um instante que partiu,

    mas que ainda brilha um pouco antes de sumir.

    E, quando a gente menos espera,

    essas pequenas partidas se juntam,

    fazendo um céu inteiro mudar de cor —

    uma segunda-feira que chega sem aviso,

    com o peso leve das ausências empilhadas.

     

    Despedir-se não é só ir embora —

    é aprender a deixar partir pessoas,

    coisas, conceitos, verdades desbotadas,

    premissas que perderam o peso,

    promessas que viraram vento.

     

    É esvaziar as mãos para que algo novo possa pousar,

    é abrir espaço no peito para o que ainda quer nascer,

    mesmo que seja o silêncio antes da próxima palavra.

    Despedir-se é soltar, soltar, soltar — e ainda assim continuar.

     

    Artwork by Roberta Sant’Anna para Unsplash+

  • [Foco]

    [Foco]

    seria o foco
    uma metodologia criativa
    nada cartesiana

    ou talvez só uma intenção
    imprecisa que atravessa o caos
    e se deixa levar
    mais pelo desejo
    que pelo cronograma?

    um esboço
    um fluxo
    um tropeço que insiste
    em parecer caminho

    porque focar não é alinhar
    não é conter
    não é reduzir à lógica

    é sustentar o movimento
    mesmo quando tudo falha
    mesmo quando o método implode

    e o foco permanece
    ainda assim
    como um sopro
    irregular
    feito de caos
    e de intenção
    e de segundas-feiras

    A C U M U L A D A S

    promessas atrasadas

    e quem sabe
    não seja exatamente isso
    focar:

    não fixar
    não endurecer
    mas afrouxar
    a rédea
    e seguir
    onde o caos
    se encontra
    com o pulso
    num impulso

    _

     

    📸 Renato Heusi
    Sem filtro – 29/07/25 – 7h15

  • [Previsão]

    [Previsão]

    Vinicius já previa…

    tudo morre, tudo esfria,

    mesmo o job, mesmo a parceria

    no fundo, todo mundo já sabia,

    que nada dura, só a nostalgia

    true story, pura melancolia

    mas se ardeu, foi alegria,

    se marcou, virou poesia

    foi inteiro, sem economia

    sem contrato, só química e energia

    não precisa eternidade,

    basta a sintonia

    não precisa a segunda-feira,

    basta a rebeldia

    _

     

    Artwork by mathiole

  • [Número]

    [Número]

    Todo mundo tem o direito de mudar de ideia. De planos, de sonhos, de encantos.

    Mas há uma pergunta que não cala: por que você me pediu pra ficar?

    Eu estava quase indo. Partindo. Saindo. Trocando rotinas pífias por outras melodias.

    Mensagens. Promessas. Propostas. Elogios. Projetos. Histórias.

    Parecia incrível. E foi.

    Até não ser mais.

    Até eu virar só mais um número, cortado à navalha.

    Seu foco mudou.

    O que era estratégico virou secundário.

    Do nada você inflou. Crescimento acelerado? Pra onde foi? Um caminho novo a ser traçado, fragmentou. Destroçado por traças roedoras traiçoeiras atrás das frágeis segundas-feiras.

    Palavras. Mágoas.

    Um futuro tolhido. Talhado. Ceifado.

    Um número.

    Um nada.

    O que era soma virou sumiço.

    Desperdício.

    Desperdiçada.

    Despedida.

    Despedaçada.

    Era quarta, mas virou sexta.

    E a quinta virou segunda.

    Mais um dia zero.

    Segunda sem feira.

    Apenas um número.

    À beira da lareira que queima os saldos não salvos das promessas traiçoeiras.

    Por que você me pediu pra ficar?

    _

     

    Artworw by henn_kim

  • [Oferenda]

    [Oferenda]

    Acordei ouvindo Raul Seixas em sua homenagem

    Pensei no seu cigarrinho escondido

    Na sua risada

    Na sua boca cheia de dentes esperando a morte chegar

    No seu coração gigante

    Feito de fogo, terra, água e ar

    Na pesca do pescador

    Na beleza da maluquice

    Na dor

    Na velhice

    No teto

    No feto

    Na segunda-feira traiçoeira

    Que te levou de rasteira

    Que te pregou uma peça

    Sem pressa

    Sem essa

    Sem fôlego

    Nem quente

    Nem morno

    Logo ponho

    Uma vela no altar

    Pra iluminar seu caminho

    E te levar de mansinho

    Pros braços largos

    De quem amamos

    E carregamos

    No colo

    Perdoe-me se demoro

    Logo choro

    Logo sinto

    Não minto

    Coração aflito

    Neste recinto

    Onde as lágrimas banham

    Nossos sonhos e memórias

    Enquanto inflamam

    As preces

    As fezes

    Às vezes breves

    Nas fendas

    Não se ofenda

    Todos viramos oferenda

    Nesta tenda

     

    Poem by Tina Teresa

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    **

  • [Sueli]

    [Sueli]

    Com você, tanto aprendi
    Minha pequena grande Sueli
    Aprendi que a vida é breve
    E repleta de histórias e lendas
    Que a gente inventa e cria e emenda
    E compartilha
    E canta
    E dança
    E desenha
    E faz oferenda
    Como se fosse um croqui

    Com você cresci
    Num imaginário etéreo
    Feito um poema eterno

    Por você decidi
    Caminhar pra frente
    Me surpreendendo com o mundo
    Da leitura, da escrita e do contudo
    Da segunda-feira ao absurdo  

    E entendi
    Que ensinar e aprender
    É muito mais do que querer
    Ou amar
    Ou poder
    Ou sorrir
    Ou repreender
    Ou chorar
    Ou dividir
    Ou somar
    Ou passar
    Ou pular
    Ou teorizar
    E escrever uma tese
    E comprovar que a vida é breve

    Porque o tempo para de repente
    E voa tão rápido que a gente nem vê

    E a beleza é breve
    A dor é breve
    A sua voz é leve
    E ecoa
    No coração da gente
    Que bate com febre
    Na porta do tempo
    Pedindo pra ele voltar
    Pra gente redesenhar
    Só mais um encontro
    Uma valsa
    Um fado
    Um ponto
    Um passeio tonto
    Um segredo que tenho
    Mas tenho medo agora…
    Quem sabe no céu eu te conto

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: acervo pessoal Sueli Anacleto, com efeito.  

    Amiga e mentora: voe em paz… ♥

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    **

  • [Melodia]

    [Melodia]

    Teu
    sorriso me motiva 
    A
    respirar e a abraçar o mundo 
    Feito uma
    planta 
    Com
    raízes vivas 
    Buscando
    o fundo 
    E
    alcançando o céu 

    Teus
    olhos me guiam 
    Me
    inspiram 
    Me
    ensinam 
    Me dizem
    tudo 
    Sem falar
    nada 
    E
    traduzem os surtos 
    Dos
    imbecis 
    Que
    insistem 
    Em nos
    importunar 

    Teu
    abraço me protege 
    Das
    mazelas e das querelas 
    Do vento
    e da chuva forte 
    Dos anos
    e dos falhos planos 
    Da segunda-feira
    insana 
    E de toda
    a falta de sorte 

    Teu
    coração me abraça
    Todas as
    noites e todos os dias 
    Em todas
    as canções 
    E
    orações 
    Pois teu amor
    de mãe 
    Não tem
    preço nem estadia
    Ele
    apenas irradia 
    Feito
    melodia 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: fotografia de arquivo pessoal.  

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[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
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